Viva a sexta-feira
A ansiedade transborda da cabeça de um único homem e acaba invadindo outros, fazendo - os embriagar. E em um efeito de onda de extrema competência, a ansiedade voraz alaga os locais de trabalho e de estudo de todos os seres humanos. É sexta-feira, o dia de olhar para o relógio e aguardar a lua.
Como animais presos em jaulas, seres humanos em seus locais de trabalho e (ou) estudo, aguardam a hora exata de escapar e pegar um happy hour com outros seres da mesma espécie, também presos, longe dos seus habitats. A espera pela lua nunca foi tão cansativa, a cada sexta-feira a lua parece mais teimosa em aparecer. E quando aparece sorri, com todo o sarcasmo, deixando surpreso o humano mais desatento.
A hora chega e então todos os homens esbanjam sua sorte de poder brindar com a lua, como um ritual. Todo final de semana a espécie dominante no planeta Terra sai para celebrar, mesmo que não haja motivo algum para um celebração, o que só dá mais razão ainda ao carnaval, a sexta das sextas.
Os poucos azarados, que por algum motivo não conseguiram confraternizar com a espécie, ficam em suas casas, diminuídos pela lua, pelos brilhos de felicidade alheia, que entram nas casas dos solitários de uma maneira impositiva, dominante e cruel. Não há solidão mais avassaladora que a solidão de uma sexta-feira à noite.
O mundo brinda, transa, festeja, embriaga. É um pingo de sentido na vida de cada casal, de cada mesa de bar, de cada roda de amigos. Viva a sexta-feira ou mergulhe na tristeza. São as únicas opções do último dia letivo da semana.